5 - Mortas Leis
Leis mortas e ninguém trata de enterrá-las.
Mortas como estão e como são, portanto, apodrecidas, sem preciso dizer,
sem vidas, mas que têm servido como arquétipos em mãos de alguns,
para tão somente tirar proveitos dos resquícios adormecidos, em velórios
sombrios e lúgubres, de restos somente restos, que já deixaram de atender
as aspirações de uma sociedade dinâmica, por conseguinte, que vive uma realidade com aspirações presentes.
Leis mortas que atravancam e ocupam espaços indevidos, atrapalhando à caminhada dos que precisam andar sem atropelos, mas essas mortas, ainda, são obstáculos que dão origem, certamente, as injustiças sociais.
Mortas, que pelo jeito e gosto de poucos, que se servem das energias que essas mortas podem liberar, pois ainda vibram, mas sem ressonância nas freqüências exatas da sociedade, porém, canalizadas por tais mentes, sem consciências, criam interferências prejudiciais, dificultando sobremaneira a ordem das circunstâncias de uma estrutura social viva.
Somente para lembrar, o que dizia Jesus, pois, possivelmente, não servirá como parâmetro para as coisas pequenas, que estamos discorrendo, mas de qualquer forma, vamos relembrar:
... Deixem os mortos enterrarem os seus mortos...
Embora não sendo no sentido real do que disse, mas só para lembrar, como nos referimos, os que morrem precisam ser enterrados, no entanto, ninguém quer enterrar, uns porque não podem, outros podem, mas não fazem, por falta de quem assine os óbitos.
Dessa forma tudo continua como estava, trazendo sofrimento para tantos, vítimas dos miasmas dessas mortas que continuam, de certa forma, emitindo radiações que têm guaridas em poucos, atingindo muitos.
Os nossos mortos vivos, que andam, mandam, editam e ditam, ou são cegos, ou não enxergam além de si mesmos, o que se pode considerar a maior das cegueiras.
Portanto, quando enxergam, não vêem além de onde estão, porém, ficando sem saber o que são e para aonde vão.
Por conseguinte, pisam, muitas vezes, no que não conhecem, por não ver, visto que, suas miopias de almas impedem de enxergar, devidamente, e assim sendo, deixam de enterrar tantos mortos.
João C. de Vasconcelos
