15 - CORAÇÃO FURADO

 

A dor que estou sentindo,

Neste buraco sem fundo,

Vejo-me nele caindo,

Não sei o lugar do mundo.

 

Sem em quê me agarrar,

Nesse vazio sem igual,

Vejo o mundo rodar,

Com rotação desigual.

 

Não sei como e onde estou,

Se estou em pé ou deitado,

Meu mundo se desarranjou,

Juntando presente e passado.

 

O presente volta ao passado,

O passado vem ao presente,

Tudo fica muito embaraçado,

Enxergando tudo diferente.

 

Meu coração muito amou,

Enfim, não foi amado,

Infeliz de quem pensou,

Meu coração ter furado.

 

Meu coração é muito duro,

Tem a dureza do diamante,

Lapidado, torna-se puro,

Com brilho intenso reluzente.

 

O carbono é matéria prima,

Em diamante se tornou,

Há aquele que não prima,

Partícula solta continuou.

 

Vai pra aonde o vento leva,

Tornando-se, apenas, poeira,

Sua vida pouca se eleva,

Vivendo uma vida grosseira.

 

Deixarei o poço vazio,

A superfície subirei,

Sentirei o grande alívio,

Da dedicação à Lei.

 

Agradeço ao Zênite,

Sem reclamar do nadir,

Seguirei em frente,

Sem mais, em poço cair.

 

João C. de Vasconcelos

 


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