50 - Metrô

 

Metrô do dia-a-dia,

De vindas e de idas,

De tristeza e alegria,

De chegadas e partidas.

 

Meu amigo de luta,

Da caminhada rotineira,

Que me leva a labuta,

De segunda a sexta feira.

 

Escutas tu, sempre calado

Todos meus pensamentos,

Levas contigo guardado.

Minhas alegrias e sofrimentos.

 

Tenho muita tristeza,

Por te ver definhando,

Doe-me ter a certeza,

De quem está te judiando.

 

Já não tens a vitalidade,

Pois te faltas manutenção,

Tens perdido a qualidade,

Sofre, por certo, a operação.

 

O vírus que te consome,

Deixa-te viver, porém doente,

É o mesmo que causa a fome,

Por meio tão deprimente.

 

É o poder desmedido,

Que teu destino governa,

É o mesmo que tem ferido,

Tua estrutura interna.

 

Os teus órgãos em falência,

Pela desorganização generalizada,

É a doença da incompetência,

Que te mata de forma calada.

 

É o desrespeito, sem escrúpulos,

Por cabeças desajustadas,

Que idealizam os grandes pulos,

De forma sujas e premeditadas.

  

Como é triste te ver doente,

Com rodas cheias de calos,

Que atinge toda gente,

Da cidade de São Paulo.

 

São Paulo, tu não mereces,

Ter um filho doente, assim,

A Deus fazemos uma prece,

Para esse mal ter um fim.

 

 João C. de Vasconcelos

 


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