64 - A Vida Passou

 

 

Não sei se a vida passou,

Ou se passei pela vida,

Só sei que o tempo ecoou,

Não sei dizer, à medida.

 

O que parecia tão distante,

De repente ficou perto,

O passado veio ao presente

Do futuro, não estou certo.

 

Fiquei sem ter certeza,

 Do futuro que virá,

Perguntei a Natureza,

Não ouvi ela falar.

 

Tem me trazido cansaço,

As indagações e propostas,

Hoje, apenas, grande espaço,

De perguntas sem respostas.

 

Recorri à precisão matemática,

Se dois mais dois são quatro!

Ou é expressão alto didática,

Que deram forma ao abstrato!

 

Em fim qual é o limite,

Que pode tender a zero?

Ou chegar ao infinito,

Diante disso, o que espero!

 

Consulto a derivada,

Prenúncio da integral!

É saída ou chegada,

Dividir em partes o total!

 

Gerou-me uma confusão

Dividir em pedaços o inteiro,

Deixando-o em menores porções,

Sem se obter valor verdadeiro!

 

Temos, apenas, aproximação,

Sem alcançar o verdadeiro,

Aí está, a principal razão,

De me sentir o derradeiro.

 

Se do inteiro fizer parte,

Sem Ele poder ser,

E do acervo, à arte,

Sou eu, sem saber...

 

Se for um ser, sem saber,

Em busca do que não achei,

Que preciso para vencer,

E saber o que não sei?

 

Será! O cair é o exercício,

Pra quem levanta do chão,

Evitando os mesmos vícios,

Nos caminhos da evolução?

 

Enxergar o que não via,

Exercitando a visão,

È Saber, que a vida cria,

Com tamanha exatidão?

 

Certamente, o mundo é exato,    

De valores sempre presentes,

Pode se vê por esse aparato,

Quando se é autoconsciente.    

 

 

JOCLAUVAS 2011

 


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